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Fernando Rodrigues



02/10/2006
Mais democracia

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O Brasil realizou ontem sua quinta eleição presidencial direta seguida sob total liberdade. Está agora superado o intervalo democrático anterior (1945-1964), que teve apenas quatro pleitos consecutivos. É impróprio comparar com períodos de liberdade mais antigos. O país era outro no início do século 20.

Apesar das mudanças variadas de regras eleitorais, vive-se hoje um processo inédito de consolidação democrática. Em certa medida, a maior obra de Fernando Henrique Cardoso foi ter começado e terminado os seus dois mandatos, passando a faixa ao seu sucessor (eleito também pelo voto direto), no dia 1º de janeiro de 2003. Essa cena não se repetia desde 1960.

Nesta eleição de 2006, houve muito nervosismo na reta final. Começaram a sobrevoar os céus de Brasília boatos e ameaças típicos de repúblicas bananeiras -"quem perder não vai aceitar" e "o próximo presidente, seja quem for, governará o tempo todo ameaçado pela oposição no Congresso".
É possível que o ambiente fique crispado no momento inicial. Caberá aos partidos e a seus dirigentes trabalhar para impedir algum desfecho incompatível com os preceitos estabelecidos nas leis e na democracia. Dado o grau de irritação de governo e da oposição, é difícil prever como vão se comportar os seus principais agentes.

Contribuirá para equilibrar as forças no médio prazo a reorganização partidária. Menos partidos terão poder. Entra em vigor a cláusula de desempenho, que dará amplo poder de atuação a cerca de sete siglas -e não mais às 29 agremiações hoje existentes. O Brasil que emergirá da atual eleição estará longe do ideal. Chegamos tarde ao baile. Mas há mais democracia no ar. E uma sensação clara de andar para a frente.



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