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Fernando Rodrigues



11/10/2006
Temores e ameaças

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Até há um mês, os tucanos sapecavam em Lula a pecha de autoritário potencial. O PT estaria preparando um autogolpe para depois da eleição. Ai de quem discordasse. Era algo tão certo como as estiagens de julho em Brasília. O cenário se inverteu. A disputa foi para o segundo turno. Agora, são os lulo-petistas que enxergam um futuro plúmbeo para a democracia se a companheirada ficar de fora do Palácio do Planalto nos próximos quatro anos.

Articulado e inteligente, o ministro Ciro Gomes tem vocalizado a tese do momento. A história é simples. Se colar em Lula o rótulo de corrupto e a reeleição for para o espaço, o Brasil ficará dividido. Muita gente de boa-fé não aceitará a derrota por uma "maioriazinha relativa". O processo de representação deixará de ser "crível". Ciro não fala assim, mas sugere que, finalmente, o Brasil poderá assistir ao "morro descer até o asfalto".

Na linha argumentativa do PT, por mais incompetente que seja a estrutura do partido de Lula, não é cabível que a reeleição seja perdida por causa de um episódio estapafúrdio de "aloprados" comprando um dossiê. Ao usar esse momento a seu favor, Geraldo Alckmin estaria fazendo um jogo sujo.

Tudo porque Lula não extrai de seus companheiros de 30 anos uma informação prosaica: de onde veio o dinheiro para comprar o dossiê. É surrealista dizer que a PF está investigando. Por que o presidente não chama seus amigos e pergunta sobre a origem dos recursos? Meia dúzia de carreiras políticas seriam implodidas. Mas, possivelmente, Lula poderia salvar-se. O petista parece preferir sofrer até o último minuto em troca de preservar algumas reputações. Talvez porque a informação real possa causar para ele mais danos do que o incompreensível silêncio atual.



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