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Fernando Rodrigues



21/10/2006
Sobre a incidência de raios

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Do ponto de vista da sua popularidade, Lula já teve dois eventos de alta octanagem contra si. O primeiro, o mensalão, eclodiu em junho de 2005. O segundo, o dossiegate, em setembro de 2006. Estão separados entre si por um período de quase 16 meses. A grande pergunta que os petistas se fazem no momento é sobre a chance de um raio dessa proporção cair novamente no mesmo lugar antes da realização do segundo turno, daqui a oito dias.

Um raio, nesse caso, teria de ser um fato capaz de inverter a vantagem de cerca de 20 pontos percentuais que Lula tem sobre Geraldo Alckmin. Não se enquadra nessa categoria o eventual envolvimento de petistas como José Dirceu ou Ricardo Berzoini na produção do dinheiro sujo para comprar o dossiê contra tucanos. Dirceu e Berzoini, como se diz no mercado, e agora na política, "já estão precificados".

Certeza ninguém tem, mas os petistas apostam na discrição dos "meninos aloprados" do partido neste momento. Com essa esperança recôndita, os governistas já começam a comemorar discretamente a possibilidade de Lula igualar nesta eleição a sua votação de 2002, na época em que "a esperança venceu o medo" (sic). No segundo turno há quatro anos, o petista teve 61,3%, contra 38,7% do tucano José Serra. Uma diferença de 22,6 pontos, considerando-se os votos válidos.

Se Lula se aproximar desse patamar numa eventual vitória, exorcizará parte considerável do raquitismo eleitoral vivido na véspera do primeiro turno. Há menos de um mês, esteve perto de conquistar a reeleição por uma diferença de apenas alguns milhares de votos. Agora, em tese, pode ficar mais de 10 milhões à frente de seu oponente. Tudo, por óbvio, se o raio não cair de novo no mesmo lugar.


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