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Fernando Rodrigues



23/10/2006
Os riscos de Lula

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Se Lula ganhar a eleição domingo que vem, a dúvida é sobre quais riscos ele correrá no eventual segundo mandato com tantos indícios de crime cometidos nas redondezas do Planalto. O senso comum do establishment antiLula prevê uma catástrofe inevitável. Será o "governo que já acabou antes de começar", tem sido a frase do tucanato. A realidade, entretanto, é mais complexa.

Os exemplos sempre citados de presidentes eleitos e depois abatidos em pleno vôo são os do brasileiro Fernando Collor (eleito em 1989 e deposto por impeachment em 1992) e do norte-americano Richard Nixon (reeleito de 1972 e forçado a renunciar em 1974). Collor e Nixon foram eleitos com grandes votações, mas, assim como Lula, pessoas muito próximas a eles cometeram crimes. Daí o silogismo do momento: "Lula também vai cair depois da eleição". Mais ou menos. Ou melhor, depende.

Nixon perdeu uma guerra (Vietnã) e desvalorizou o dólar. A inflação dos EUA em 1974, quando ele renunciou, bateu em 11% -a primeira vez acima de 10% desde 1947! A auto-estima do norte-americano médio estava ao rés do chão. Collor tem história conhecida. Atolou o país em recessão em 1992.

A inflação foi a 1.129,45%. E Lula em 2007, se for reeleito? Possivelmente o Brasil crescerá na faixa dos 3% a 4%. Ou até mais, com a possível saída da turma ortodoxa da economia. No Congresso, os 300 picaretas vão aderir ao presidente, seja ele quem for, logo depois de domingo que vem. Sobra a Lula o risco de seus "meninos aloprados" abrirem o bico oferecendo provas materiais da suposta atuação do Planalto nos malfeitos já noticiados. Menos do que isso será pouco para padrões brasileiros. Foi assim com FHC. Deve ser assim novamente com Lula.


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