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Fernando Rodrigues



30/10/2006
O desafio de Lula

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O Brasil teve cinco eleições presidenciais seguidas desde 1989. Ontem, Lula foi reeleito pelo voto direto. Repetiu o feito de Fernando Henrique Cardoso em 1998, também escolhido duas vezes para comandar o país. A rigor, a democracia brasileira entrou em ritmo de normalidade apenas a partir de 1994. Só há democracia com regras estáveis e um mínimo de segurança, ordem e previsibilidade na área econômica.

Parece pouco, mas a eleição de 2006 foi a única no período recente sem correria da classe média aos bancos. Não houve saques em dinheiro para comprar dólares ou algum bem móvel ou imóvel. No processo eleitoral, grande parte dos eleitores se mostrava desanimada com Lula ou com Alckmin. Mas ninguém tinha dúvida sobre como seria o mandato de um dos dois: ortodoxia na economia, o Brasil crescendo como tartaruga, apesar de haver o bom subproduto da estabilidade na economia.

Esse é o ponto e o desafio para Lula. Como encontrar mentes sofisticadas para auxiliá-lo a dar ao país um "drive" novo, energia. Algo capaz de subverter a lentidão a que estamos relegados no desenvolvimento há quase três décadas. "Corte nos gastos públicos" é o mantra da vez. Está certo. Esse é um remédio inevitável. Mas há de existir alguma saída, dentro das regras estabelecidas, que permita a uma nação como o Brasil abreviar a sua chegada ao futuro.

Depois que todos os planos econômicos falharam nas décadas de 80 e de 90, um grupo iluminado criou a URV. O Brasil se livrou da inflação. E nenhum contrato foi quebrado. Agora, resta a Lula encontrar um time de assessores que o apresente talvez a uma "URV do crescimento". Não é certamente tarefa fácil. Mas é o mínimo que se espera da próxima administração.


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