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Fernando Rodrigues



04/11/2006
Atraso sem fim

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Viajar de avião nos últimos dias foi uma oportunidade de constatar, na prática, a distância que separa o Brasil de um país desenvolvido. Ou de ser a nação onírica presente nos discursos de Lula ("a estrutura está pronta, só faltam o madeiramento e o telhado").

É evidente que qualquer país está sujeito a greves em setores importantes. O fato a ser notado é outro: a quase total incapacidade de governo e iniciativa privada de reagirem de maneira civilizada quando ocorre uma vicissitude como foi a ação dos controladores de vôo. Na quinta-feira, no final do dia, quase cem pessoas se enfileiravam para serem atendidas na loja da TAM no aeroporto de Salvador. Só dois funcionários estavam disponíveis para atendimento. Cenas semelhantes se repetiam na Gol e em outras empresas menores.

É óbvio que essas companhias aéreas fizeram menos do que poderiam para minimizar os efeitos sobre os consumidores. Podem agora divulgar comunicados relatando a convocação de pessoal extra, eximindo-se de culpa. OK. Mas é pouco. TAM, Gol e outras não estão preparadas para situações de crise. Até porque custa dinheiro ter um plano de emergência à mão -e gastar dinheiro não é com elas, mas, sim, cobrar talvez uma das tarifas aéreas mais caras do planeta.

Ao mesmo tempo, nada de funcionários da Infraero para oferecer alguma palavra aos passageiros atônitos. A estatal se especializou em fazer licitações milionárias para construir salas de embarque com piso de granito. Prestar um bom serviço, nem pensar. Como Lula e o governo cederam aos controladores de vôo, logo todo esse caos estará esquecido. Mas o Brasil continuará um país cheio de gargalos que impedem o espetáculo do crescimento, prometido e nunca cumprido por Lula.



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