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Fernando Rodrigues



08/11/2006
A miragem da aliança

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O senso comum em Brasília é que Lula fará uma articulação política ampla, quase oposta à composição anêmica do final de 2002. Ao se eleger presidente pela primeira vez, o petista torcia o nariz para muita gente. Esnobou o PMDB. Tomou posse com menos de 200 deputados a seu favor.

Agora, segundo a crença em vigor, o cenário é outro. Além do PT, devem compor a bancada aliada de Lula os seguintes partidos, sem contar os nanicos: PMDB, PSB, PC do B, PTB, PL e PP. As 34 cadeiras de ministros serão ocupadas pelas ideologias mais diversas. Ato contínuo, a maioria governista no Congresso tenderá a ser confortável. O Planalto "tratorará" tudo à sua frente.

Essa visão edulcorada da política pode até se tornar realidade. Mas ainda não há no horizonte elementos garantindo esse desfecho. Para começar, é curioso Lula centralizar todas as negociações. A tática é ótima para os caçadores de ministério. Falam com o chefe da nação sem anteparos. Se der certo, nunca um presidente terá concentrado tanto poder desde a volta do país à democracia. Se der errado, um monte de descontentes acabará revelando em público coisas ouvidas da boca presidencial.

O apetite dos políticos é grande. Ao comentar o espaço do PP malufista na Esplanada, o líder dessa legenda na Câmara, Mário Negromonte, não tergiversou. "Somos o terceiro maior partido da base aliada. Queremos nosso espaço de acordo com nosso tamanho. A divisão tem que ser per capita". Em resumo, um partido aliado sugere a distribuição de cargos usando uma improvável regra de três. Lula terá imenso trabalho pela frente para solucionar essa e outras demandas. Até lá, a tal grande aliança governista continuará sendo apenas uma miragem.


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