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Fernando Rodrigues



11/11/2006
O erro na política

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Lula tem 34 ministros. Desses, cerca de 20 podem continuar. Entre os 14 que sobram, mais da metade está na chamada "cota pessoal" do presidente. A rigor, Lula terá bem menos de dez cadeiras para encaixar todos os aliados indicados pelos partidos políticos governistas. É nítida a escassez de cargos para atender à demanda. O caldo entorna com o PT desejando ficar do mesmo tamanho -ou maior- na Esplanada.

Nesse ambiente, Lula corre risco parecido ao do início de seu primeiro mandato. Errar na política. Está em vigor no Planalto uma crença segundo a qual a administração de Lula será eficaz a ponto de unir o PMDB. Cada um tem o direito de acreditar no que bem entende. Mas PMDB unido é igual a cabelo azul: não existe na natureza. Outra miragem habitual no imaginário do governo é ter "ministros que garantam a votação das bancadas de seus partidos" no Congresso. Poesia pura. O atual sistema político-partidário só funciona na base das planilhas: de um lado, o nome do deputado ou senador; do outro, a lista de emendas parlamentares de cada um.

É possível que em 2014 as legendas grandes realmente sejam cerca de quatro. Será viável então uma negociação institucional entre direções partidárias e Poder Executivo. Hoje, é impossível.

Aceitar esse fato não significa rendição ao fisiologismo. Basta liberar emendas decentes. Refugar as dos sanguessugas. Simples. Mas exige algo para o qual Lula e seus articuladores não demonstram apetite: trabalhar duro, ter paciência e receber, individualmente, os 513 deputados e 81 senadores. Só chamar os caciques não adianta. Na primeira crise, essa gente some e passa a ligar para os jornais reclamando que falta um articulador político a Lula. E falta mesmo.


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