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Fernando Rodrigues



18/11/2006
Operação de risco

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


É de alto risco a operação política conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para montar o ministério de seu segundo mandato. Há indicações de que o Planalto pretende combinar -ou no mínimo tornar quase concomitantes- algumas das nomeações com as eleições dos presidentes da Câmara e do Senado.

Nesse cenário, um naco do ministério de Lula será anunciado só no ano que vem. Haverá uma posse no dia 1º de janeiro apenas para formalizar o início do segundo mandato. O time definitivo entraria em campo em algum momento até o mês de fevereiro. Lula está sem muitas opções. Há 34 cadeiras de ministros, mas menos da metade oferece atrativo$ reai$ aos aliados de nove partidos convidados para a tal coalizão: PT, PMDB, PSB, PC do B, PRB, PR (ex-PL), PP, PTB e PV.

Para efeito externo, Lula e seus assessores diretos dirão apenas que o presidente tenta mudar a concepção da aliança. "Antes, eram sempre composições com fragmentos dos partidos. Agora, será com as instituições partidárias", diz Tarso Genro, articulador político do Palácio do Planalto. O discurso é bonito, mas contém uma imprecisão. Pressupõe que as coalizões capengas de governos passados tenham sido construídas propositadamente assim. Não é fato. As alianças partidárias no Brasil não se dão de forma institucional, porque as agremiações políticas não se organizam para tal.

Megalomania à parte, é louvável Lula tentar ajudar a consertar essa deformidade do mundo político. Se tiver sucesso, valeu o ingresso, como se dizia antigamente. Se der tudo errado, pagará pelo risco assumido: terá os mesmos fragmentos partidários de sempre e um segundo mandato em curso sem preencher parte de seus ministérios.



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