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Fernando Rodrigues



20/11/2006
Lobby no Congresso

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Reportagem de Rubens Valente e Leandro Beguoci, ontem na Folha, demonstrou que 36 deputados federais reeleitos receberam dinheiro oficialmente de empresas relacionadas a ações e a projetos apoiados por esses políticos dentro do Congresso.

O corregedor da Câmara é um desses deputados. Ciro Nogueira (PP-PI) é responsável, em tese, pela manutenção dos padrões éticos e morais da Casa. Recebeu uma doação de R$ 180 mil da Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas. Também foi o relator de um projeto sobre velocidade de motocicletas. Nogueira, cotado para ser ministro de Lula, é um caso extremo de desprezo pelas boas maneiras políticas. Sua marca tem sido atrapalhar investigações sobre seus pares. Retardou ao máximo as apurações sobre os sanguessugas.

Ainda assim, é louvável Ciro Nogueira apresentar de maneira aberta a doação da sua Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas. O mal não está no fato de o deputado dar dinheiro a si próprio e ter sido relator de um projeto de lei que o interessa empresarialmente. O problema é os eleitores só ficarem sabendo disso depois da eleição.

Entre os eleitores do Piauí deve haver amantes das motocicletas e os que não gostam desse meio de transporte. Faz parte da democracia. Uma coisa os une: todos têm o direito de saber de onde vem o dinheiro de Ciro Nogueira antes de votar. Esse é o sentido de haver prestação de contas eleitorais.

Nos Estados Unidos, os políticos relatam a cada 15 dias de quem receberam e o valor das doações financeiras. No Brasil, os dados completos só são apresentados depois de encerradas as eleições. Essa anomalia pode ser corrigida. Depende de uma lei a ser proposta e aprovada por homens públicos como Ciro Nogueira. Não é fácil.


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