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Fernando Rodrigues



22/11/2006
Chegou o "cobrança zero"

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Se política é, em grande parte, uma simbologia de imagens, gestos e omissões, Lula tirou a sorte grande com a oposição. No meio da crise do mensalão, PSDB e PFL tiraram o pé do acelerador quando o marqueteiro presidencial, Duda Mendonça, confessou ter recebido dinheiro sujo para fazer campanhas do PT. Neste ano, Lula sapecou o sofisma da "privatização do mal" contra os tucanos. Não houve voz ativa dentro do mundo tucano-pefelista com coragem para rebater.

Passada a eleição, depois de tomar uma sova de Lula, a oposição ganhou de presente dois temas relevantes para cobrar duramente do governo. Primeiro, o apagão aéreo. Segundo, e mais relevante, o deserto de idéias na equipe econômica, incapaz de produzir uma única saída viável para tirar o Brasil do patamar medíocre de crescimento.

Mas Lula é um homem de sorte. A oposição continua a emitir sinais ambíguos. O governador eleito em São Paulo, o tucano José Serra, tem gente no seu entorno dizendo que ele gostaria de fazer um novo partido. O congênere de Minas Gerais, Aécio Neves, deixa correr solta a especulação sobre sua mudança para o PMDB antes de 2010.

Suprema capitulação veio no fim de semana. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, não apenas aceitou uma carona no avião presidencial como saiu dizendo que Lula está mais maduro. Ontem e anteontem, oposicionistas se esfalfavam para dizer que a carona de Virgílio foi um "ato de civilidade". Errado. Foi só ingenuidade e um erro tático e estratégico. O que ganhou a oposição? Nada. E Lula? Saiu com a fama de quem quer conversar com todos.

Com uma oposição mansa assim, o petista no Planalto está à vontade para errar sem medo no próximo mandato. PSDB e PFL, de forma quase unânime, criaram o inusitado programa "cobrança zero".



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