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Fernando Rodrigues



27/11/2006
Repetição da farsa

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A máxima de que a história se repete como farsa está para se tornar uma realidade para Lula nas eleições dos presidentes da Câmara e do Senado.
No final de 2004, o petista foi procurado por João Paulo Cunha e José Sarney, então presidentes das duas Casas do Congresso. Queriam se reeleger em fevereiro de 2005.

Lula deu sinais ambíguos. Parecia ser a favor, mas não os ajudou de fato. Os dois acabaram ficando de fora. A disputa virou uma guerra campal. O PT, com sua volúpia pelo poder e incapacidade de entender a conjuntura, teve dois candidatos -Virgílio Guimarães e Luiz Eduardo Greenhalgh. Perderam. Ganhou Severino Cavalcanti. O resto, como se sabe, é história.

Severino foi um ponto fora da curva nas relações promíscuas e fisiológicas entre Executivo e Legislativo. Teve de renunciar para não ser cassado. Sua atuação desastrada foi o caldo de cultura propício para que eclodisse o escândalo do mensalão -o ápice de um processo no qual parte dos deputados se sentiu à vontade para fazer à luz do dia o que vinha produzindo há décadas em espaços recônditos dos edifícios do Congresso.

Agora, tudo de novo. Renan Calheiros (presidente do Senado) e Aldo Rebelo (Câmara) querem se reeleger. Lula deu sinais de que vai apoiar. Mas o PT insiste em ter candidato próprio para comandar a Câmara. O PMDB, maior bancada, idem -apesar das juras de amor ao Palácio do Planalto. No encontro petista no fim de semana, Lula cometeu uma frase exemplar: "Como vou sair do PT se o PT não sai de mim". É verdade. Lula e PT não se separam, porque são partes de uma mesma concepção de poder. Muitas vezes, a conjunção dá certo. Em outras oportunidades, só resulta numa repetição de erros. Como agora na disputa pelas presidências da Câmara e do Senado.


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