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Fernando Rodrigues



02/12/2006
Lula emparedado

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Lula nem bem colocou sua coalizão para andar e já está emparedado no Congresso. Se a eleição para presidente da Câmara fosse hoje, estaria eleito o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP). Lula é contra a eleição de Chinaglia. Já manifestou a interlocutores diversos no Planalto sua preferência pela recondução de Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Deve-se levar em conta que a eleição para presidente da Câmara não é hoje. Será só em 1º de fevereiro, quando tomam posse os deputados. Dois meses são uma eternidade em política. Ainda assim, Chinaglia já reuniu condições de apresentar na semana que vem -não se sabe se o fará- uma lista de apoio robusta, composta pela maioria das bancadas do PT, PTB, PP e PR (ex-PL) -além de grupos isolados no PSB, PDT e PMDB.

Em dados concretos, 80% da chamada base de apoio governista. Esse quase insuportável assunto da sucessão das presidências da Câmara e do Senado serve para demonstrar a profunda fragilidade da coalizão anunciada pelo presidente da República e por seu ministro da articulação política, Tarso Genro. É falsa a noção de que o PMDB e outros partidos estão aderindo em massa e serão fiéis. Só estão se declarando lulistas para receber cargos e promessas de benefícios futuros. Nas votações relevantes, tudo continuará como sempre foi.

No Senado, a disputa é também nebulosa. O preferido de Lula é Renan Calheiros (PMDB-AL), o atual presidente. Há grande incerteza sobre as chances reais de vitória, pois Renan contava com um cenário pacificado na Câmara. Daqui até fevereiro, Lula pode recuar e apoiar Chinaglia. O oposto também pode acontecer. Política é assim. O único cenário impossível por enquanto é a articulação palaciana triunfar e salvar a todos. Esse é um embate que sempre deixa mortos e feridos em profusão.


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