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Fernando Rodrigues



04/12/2006
Começa o espetáculo

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Lula dá início hoje ao loteamento dos cargos federais de seu próximo mandato. Começa a receber cúpulas partidárias e caciques políticos isolados. Muita gente está salivando nos partidos ditos aliados. No PMDB, o clima é quase de festa. Lula teria se decidido pelo sistema chamado de "porteira fechada". Os ministérios serão entregues e os peemedebistas farão como bem entenderem o rateio de cadeiras da estrutura interna da pasta.

Quando alguém pergunta no Palácio do Planalto sobre o risco de dar um ministério completo para um determinado partido, ouve-se elogios ao período em que esse método era usado no governo FHC. O paradigma mencionado por petistas é o do Ministério dos Transportes, então comandado pelo deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS).

Do ponto de vista da lógica do sistema político atual, é muito difícil um presidente fugir do modelo fisiológico abraçado com gosto por Lula. A chance de tal coalizão prosperar depende do desempenho do governo na área econômica e da popularidade presidencial. Não há sinal de que PMDB, PTB, PP, PR (ex-PL), PSB, PDT e PC do B estejam indicando algum gênio capaz de "destravar" a economia, para usar o vocabulário lulista. Entre os remanescentes no governo também não se enxerga grande novidade para o Brasil crescer além dos atuais cerca de 3% ao ano. Tudo somado, a mediocridade deverá imperar também em 2007.

O dissidente mais vistoso do PMDB, o senador eleito por Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, calcula que a coalizão anunciada agora por Lula dure apenas seis meses. É uma previsão a ser considerada.
Se em junho do ano que vem o país continuar andando de lado, o vaticínio jarbista tem chances reais de se tornar realidade.


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