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Fernando Rodrigues



13/12/2006
Agora, o "bolsa esporte"

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Os telejornais e a mídia em geral de repente ficaram forrados de imagens de senhores e senhoras com faces conhecidas, mas agora sem maquiagem e com as marcas do tempo mais à vista. São atores e atrizes. Querem garantir o fluxo de dinheiro público para suas produções, sem reparti-lo com a área esportiva.

Nas fotos, do outro lado da mesa, aparecem atletas. Eles também estão ávidos pela criação do "bolsa esporte". Empresas poderão dar dinheiro para certas atividades ligadas ao esporte e abater um naco do que pagariam de imposto. Quem paga essa gastança? Todos os brasileiros. O dinheiro de impostos deixa de ser recolhido. Entra sem escalas no bolso de empresários culturais ou esportivos. Esse lobby explícito de artistas e atletas é a expressão mais completa e acabada de uma doença da sociedade brasileira: a incapacidade atroz de vários setores de prosperar sem uma muleta estatal.

Não que o Estado não devesse incentivar a cultura e o esporte. Mas, em condições normais de temperatura e pressão, esse tipo de auxílio deveria ser algo extra. Por exemplo, para produções comercialmente inviáveis, mas úteis para a coletividade. Aqui, muitos filmes ordinários e peças de teatro idem não existiriam sem o selo de algumas empresas estatais ou de dinheiro captado com renúncia fiscal. Esse estado mental de acomodação abúlica produz o "bolsa cultura" e o "bolsa esporte". É um enigma a ser desvendado por algum governante com interesse real em "destravar" a economia.

Não há indícios de preocupação com essa anomalia no governo Lula. O ministro Gilberto Gil (Cultura) defende seus artistas. Seu colega Orlando Silva (Esportes) vai além. Propõe "expandir" a renúncia fiscal. E os brasileiros, que na sua maioria não são artistas nem atletas, vão pagando a conta.


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