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Fernando Rodrigues



18/12/2006
Força e disposição

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Foi grande o volume de e-mails e de cartas para os jornais nos últimos dias em protesto contra o aumento de 91% nos salários que os deputados e senadores se autoconcederam. Enquanto isso, nas ruas, nada. Na política em geral, calmaria. O Datafolha constatou um eleitorado satisfeito com Lula, embora um menos esperançoso.

A chance de o aumento salarial para os congressistas ser cancelado é menor do que era a do time do Internacional ser campeão mundial de futebol contra o Barcelona. O Inter venceu, e seu técnico, Abel Braga, disse que a equipe traçou um objetivo sem nunca deixar de persegui-lo com todas as forças.

Quais forças e disposição tem a sociedade civil brasileira para cobrar decência dos políticos? Ninguém imagina, a esta altura, passeatas com milhares de pessoas ocupando as ruas antes do Natal. A indignação por e-mail sumirá logo depois das festas de fim de ano. "O que fazer?", demandam os leitores. Não há saída imediata. O amadurecimento democrático é lento, gradual.

O Datafolha que aponta uma esperança menor da população a respeito de Lula é um sinal -pequeno, é verdade- de como o brasileiro aos poucos vai discernindo o sonho da realidade. Quem hoje se irrita com a política e com os políticos talvez devesse se perguntar como se preparou para votar na eleição de outubro passado. Tentou conversar com os seus candidatos a deputado? Indagou deles o que pretendiam fazer de fato dentro do Congresso?

O eleitor consciente e agora traído já sabe muito bem o que fazer: nunca mais votar nessa gente. A maioria que não se preocupou em ter mais informações sobre seus candidatos só tem uma opção: esperar mais quatro anos para votar melhor. Assim é a democracia.


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