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Fernando Rodrigues



20/12/2006
O Congresso e a sociedade

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O Supremo Tribunal Federal derrubou o aumento salarial de 91% autoconcedido por deputados e senadores. O reajuste caiu porque era ilegal. Não houve relação com uma suposta pressão da sociedade.

A mobilização dos brasileiros até agora se restringiu a reportagens na mídia, e-mails em profusão e alguns gatos pingados gritando em cidades grandes. Pouco para mudar a opinião dos políticos. Sobre cidadania e capacidade associativa, pesquisa Ibope revelou um cenário assustador -ressaltado ontem pelo prefeito do Rio, César Maia. "Trabalha para um partido político ou candidatos, mesmo que seja como voluntário?", perguntou o instituto -91% responderam "nunca" ou "quase nunca".
"Trabalha pela defesa de propostas ou idéias que afetam a sua vida ou a de sua comunidade?", foi outra questão. Nesse caso, 79% disseram "nunca" ou "quase nunca".

Diante desse limbo, o Congresso vota hoje uma medida a respeito dos salários de deputados e senadores em 2007. O aumento deve ser menor. O estipêndio seria de "apenas" cerca de R$ 16,5 mil. Pouco será decidido com relação aos benefícios obscuros e indiretos dos congressistas. As tais verbas indenizatórias para gasolina e contas de telefone -muitas vezes justificadas com notas fiscais frias. A Câmara tem cerca de 16 mil funcionários. Neste ano, seu orçamento foi de R$ 2,6 bilhões. Esse valor só é menor do que o dinheiro gasto por três das 5.562 cidades brasileiras: São Paulo, Rio e Belo Horizonte. No Senado, os números são semelhantes, mas não há como citá-los com precisão, pois aquela Casa se recusa a abrir seus dados.

O valor final dos salários será o menos importante hoje. A farra gastadora continuará igual nos bastidores. E o brasileiro médio, esse ser bondoso e cordial, não ficará sabendo nem vai se importar.



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