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Fernando Rodrigues



30/12/2006
Obsessão petista

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A gênese da obsessão do PT com a presidência da Câmara é simples. O partido tem o presidente da República, mas está sem ninguém com poder verdadeiro no restante do governo. Por "ninguém" entenda-se quadros da elite responsáveis pela campanha vitoriosa de Lula em 2002.

Há hoje Marco Aurélio Garcia, Dilma Rousseff, Guido Mantega e Tarso Genro. Mas essa quadra tinha influência marginal em 2002. Os generais petistas daquela época saíram de cena. O poder por eles exercido foi abduzido após sucessivas crises e escândalos.

Caíram José Dirceu, Antonio Palocci, Luiz Gushiken e João Paulo Cunha, para citar os mais notórios. Aloizio Mercadante é outro em fase quase crepuscular na sigla, depois de ter sido rifado sem dó nem piedade pela polícia de Lula. Nenhum deve retornar tão cedo à ribalta muito menos indicar pessoas de confiança para o governo.

Marta Suplicy pode até ganhar um ministério. Mas ela tem projeto próprio. Não se encaixa nem de longe no "PT de raiz". Só sobrou para essa turma toda, o "ex-núcleo duro", uma saída: conquistar a presidência da Câmara. Assim o PT voltaria a ter um quadro com autonomia para pegar o telefone e falar com Lula a qualquer momento, de igual para igual. O destino reservou esse papel ao deputado Arlindo Chinaglia.

Conciliador, Chinaglia tem chance real de vencer contra o nome predileto de Lula, o atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo. Lula aprecia o manejo político de Aldo. Tudo já está no lugar. Com Arlindo, há o risco do novo. Placas tectônicas se moveriam. Nesses terremotos, políticos são engolidos. Interesses acabam contrariados. Materializa-se o cenário para desarranjos institucionais. O PT conhece esse filme. Quase foi engolido por algo assim. Não importa. A sigla quer poder. Lula tem um mês para se decidir. O preço da solução sobe a cada dia.



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