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Fernando Rodrigues



10/01/2007
O PT forte

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A decisão de ontem do PMDB de apoiar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara tem um significado enorme para os petistas: representa o ressurgimento da sigla como núcleo de poder de fato no plano federal. É o possível renascimento do PT pós-mensalão.

O fato ainda não está consumado, porque a eleição na Câmara é só no dia 1º de fevereiro. Mas a adesão peemedebista abriu a porteira para outros partidos aliados ao governo ensaiarem movimentos semelhantes. Nos próximos dias, devem declarar apoio a Arlindo Chinaglia três legendas de tamanho médio: PR (ex-PL), PTB e PP.

Somem-se aí os votos do próprio PT, do PMDB e de parte dos partidos de oposição (sim, haverá votos pró-PT dentro do PSDB e do PFL) e pronto: os petistas estarão a um passo de retomar o terceiro cargo mais importante da República.

Desde a queda do então chamado "núcleo duro" (José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci), o PT nunca mais teve integrantes no governo federal que falassem internamente de igual para igual com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, se as coisas continuarem como estão, a agremiação terá em Arlindo Chinaglia novamente um porta-voz de seus interesses.

Político de comportamento comedido, Chinaglia não fazia parte do grupo ao qual um dia Lula chamou de "aloprados". Se for vitorioso, o petista terá em suas mãos a responsabilidade pela reconstrução da imagem do PT e, por tabela, da Câmara dos Deputados.

Não é pouca coisa. Sobretudo porque Chinaglia se lançou candidato contra a vontade do Planalto. Na prática, sua atitude é o primeiro passo petista rumo a 2010 -quando Lula não será candidato a presidente. De seu eventual sucesso dependerá o êxito futuro do PT.



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