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Fernando Rodrigues



13/01/2007
O tamanho da fatura

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O fortalecimento momentâneo do PT é algo ainda a ser confirmado na prática. O partido é favorito para vencer a disputa pela presidência da Câmara -atraiu praticamente todas as siglas políticas existentes, menos PFL, PSB e PC do B. Apesar da aura de sucesso, o melhor momento para aferir a força e a unidade da coalizão lulista -PT à frente- será apenas depois que o presidente da República resolver fazer a partilha dos cargos federais. Será o momento de pagar a fatura pelos apoios recebidos.

O governo tem 34 ministérios. Na Câmara e no Senado há pelo menos o triplo de pretendentes. Um deputado outro dia até cortou o cabelo -ele usava rabo-de-cavalo- por achar que ficaria melhor quando tomasse posse do Ministério dos Transportes. Para essa cadeira são pelo menos cinco os pretendentes. Quatro passarão a ranger os dentes a partir de meados de fevereiro.

Por enquanto, Lula, PT e o grupo que dá ares de hegemonia no Congresso lidam com o que há de melhor na política: perspectiva de poder. É a fase em que todos se acham em condições de receber a unção presidencial para comandar alguma área nobre do governo. O problema é que esse momento de ouro passa. A administração federal está praticamente parada. Lula terá de nomear ministros ao longo de fevereiro e março. Só então saberemos a exata extensão da base aliada ao Planalto.

O cenário róseo vendido pelos petistas é conhecido: todos os integrantes dos 11 partidos aliados ao governo serão acomodados. Nunca houve uma administração federal no Brasil contemporâneo com tantas legendas no seu encalço. A impressão geral é a de que faltarão cadeiras. Mas Lula sempre pode criar cargos aqui e acolá. O teste final virá nas votações no Congresso. O problema será o tamanho da fatura a ser paga. Hoje, nem o presidente da República tem noção do valor dessa conta.


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