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Fernando Rodrigues



20/01/2007
O que fazer com ex-presidentes

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A fase de relativa anestesia no noticiário político deixou quase sem repercussão a doação de meio milhão de reais de uma empresa estatal paulista (a Sabesp) para a ONG do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (o iFHC). Os envolvidos só disseram um comedido "foi tudo legal". Pode ser. Mas esse não é o ponto.

Ninguém elaborou sobre o principal: se é próprio ou não uma estatal comandada politicamente por um partido doar meio milhão de reais a uma ONG pertencente a um ex-presidente da República filiado a essa mesma legenda. Registre-se que a doação de estatais para ONGs faz parte de uma tendência anômala no terceiro setor no Brasil. As ONGs estão se transformando em OMNGs (organizações meio não-governamentais). Mas essa é outra história.

O relevante no episódio do iFHC com a Sabesp é chamar a atenção para um tema polêmico. Algo a ser enfrentado pelo país em algum momento: o que fazer com seus ex-presidentes da República? No passado pré-1964, o Brasil estava na pré-história em termos institucionais. Nos 21 anos de ditadura, era inútil e ocioso pensar no assunto. Agora, na democracia, os ex-presidentes vivem num vácuo à procura de ocupação.

José Sarney, do Maranhão, há anos se elege senador pelo Amapá.
Fernando Collor virou senador por Alagoas filiado ao partido cuja principal proposta é um certo aerotrem para São Paulo. Itamar Franco governou Minas Gerais, decretou moratória e passou algum tempo sem fazer nada na embaixada brasileira de Roma. FHC reuniu empresários no Palácio do Planalto e passou o chapéu para montar o seu iFHC.
Daqui a pouco, em 2011, será a vez de Lula.

Passou da hora de o país produzir uma saída digna para seus ex-presidentes. Fingir que o problema não existe é a pior solução.


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