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Fernando Rodrigues



27/01/2007
Universo paralelo

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Os três candidatos a presidente da Câmara participaram ontem de um debate na Folha. Aldo Rebelo (PC do B-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR) pareciam pertencer a um universo paralelo ao existente nos corredores do Congresso. Concordaram em muitas coisas e fizeram compromissos públicos.

O eleito poderá até recuar no futuro, mas ficará com um passivo a ser cobrado mais adiante pelos eleitores. Cada um do seu jeito, e com suas ressalvas, disse, por exemplo, ser a favor do voto aberto dentro do Congresso. Em tese, não há razão para a medida ficar engavetada e sem votação a partir do início da próxima legislatura.

Todos também acham necessário aprofundar a transparência das informações financeiras dos deputados. Comprometeram-se a tornar públicas as notas fiscais que os congressistas apresentam para gastos com gasolina e assessorias especiais nos Estados, entre outros itens.
Sobre salários, ninguém mais menciona um aumento linear de 91%. Falam em um teto único e eficaz para todo o funcionalismo público. Para si próprios, querem um reajuste pela inflação do período.

É claro que os deputados merecem todas as cobranças possíveis. Como, de resto, os outros Poderes -o Senado vice em clausura e pouco se ouve a respeito. Mas é preciso reconhecer que nunca houve uma eleição para presidente da Câmara com candidatos tão expostos como agora. Se vão de fato cumprir o que prometem é outra história.

Aldo, Chinaglia e Fruet estão em campanha. Comportam-se como políticos nessas situações. Está no preço. É bom que se exponham assim, embora seja difícil enxergar um deles vencedor e cumprindo todo o prometido. Seria como transportar a Câmara para um outro mundo, um local novo, limpo. Não é impossível. Só é difícil de acreditar.


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