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Fernando Rodrigues



31/01/2007
Lula 2.0

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


As eleições amanhã para presidentes da Câmara e do Senado marcarão o início do novo modelo de relação entre Lula e o Congresso. Será uma espécie de Lula 2.0 na área política.

O petista nunca teve um sistema próprio de interação com o Poder Legislativo. Alugou um de segunda mão em 2003. Funcionou dois anos. Na renovação do leasing, implodiu com o mensalão.

Ao vencer a reeleição, Lula quis construir algo mais perene na política. A economia não precisava de ajustes profundos. Para efeitos eleitorais, a ortodoxia mesclada com assistencialismo resolveu. Bastou agora reempacotar o conservadorismo com uma pitada de marketing desenvolvimentista.

Já na administração de sua base congressual, Lula nunca conseguiu copiar FHC. De 1995 a 2002, três grandes partidos -PSDB, PFL e PMDB- funcionaram como âncora para o Planalto fernandista dentro do Congresso. Legendas médias e nanicas recebiam migalhas.

Lula jamais terá PSDB e PFL. O petista criou uma aliança com 11 siglas. O teste inicial será amanhã.

Exceto se José Agripino (PFL) e Gustavo Fruet (PSDB) ficarem com as presidências do Senado e da Câmara, o modelo Lula 2.0 começará muito bem.

No Senado, a opção governista é Renan Calheiros, do PMDB. Na Câmara, Lula estaria melhor pessoalmente com Aldo Rebelo (PC do B).

O PT ficaria mais controlado. Mas uma vitória do petista Arlindo Chinaglia também terá serventia ao Planalto: ajudará a trazer um naco mais robusto do PMDB da Câmara para dentro do governo -livrando o presidente de só depender dos senadores peemedebistas.

Tudo considerado, Lula já está com a popularidade na Lua e pode, nesta semana, beneficiar-se de um modelo político fisiológico eficaz de administração de seus votos no Congresso. Pobre oposição.



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