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Fernando Rodrigues



03/02/2007
As razões tucanas

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Cada um a seu jeito, José Serra e Aécio Neves ajudaram a materializar a eleição do petista Arlindo Chinaglia para presidente da Câmara. Os tucanos morrerão negando. Sempre haverá inocentes dispostos a acreditar.

A primeira explicação sobre o apoio tucano ao PT foi um certo escambo no manejo do Poder Legislativo. Serra e Aécio ajudariam no Congresso. Mais Serra do que Aécio. Os petistas responderiam de maneira correlata nas Assembléias Legislativas paulista e mineira. Na realidade, há razões mais intangíveis. Por exemplo, uma espécie de armistício preventivo tácito entre tucanos e petistas.

Não interessa a Serra inaugurar conflitos agora com seus possíveis adversários em 2010. Aos petistas muito menos. Nunca é demais lembrar que Lula não pode mais se candidatar a presidente. Haverá uma guerra interna no PT pelo espólio lulista. Por que então também começar já um atrito com o PSDB?

Serra teve uma razão extra para militar mais a favor do PT. Aécio Neves, seu concorrente doméstico para 2010, já tem uma relação mais azeitada com o Planalto.

A vida de um governador atritado com o PT poderá virar um inferno a partir de agora. A poderosa Comissão de Assuntos Econômicos do Senado será presidida por Aloizio Mercadante (PT-SP). Os Estados são escravos dessa comissão.

A CAE aprova um empréstimo com mais verbas para o metrô? Vamos olhar melhor esse contrato para não repetir o desastre recente. Dinheiro para o Rodoanel? Convém checar as licenças ambientais com mais rigor. Empréstimo externo para o governo paulista para obras de infra-estrutura? É sensato analisar a capacidade de endividamento. O poder da CAE para atazanar governadores é infinita. Não é certo que Mercadante se comporte dessa forma. OK, mas, se o fizer, Serra terá a quem recorrer em momentos de necessidade.


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