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Fernando Rodrigues



10/02/2007
O PT quase balzaquiano

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O PT completa hoje 27 anos de vida. A sigla atingiu o seu ápice em 2002. De lá para cá, andou de lado, mesmo tendo agora o maior número de governos estaduais de toda a sua história.

De 1982 (primeira eleição que disputou) a 2002, o PT foi o único partido a eleger um número maior de deputados a cada pleito. Quando Lula chegou ao Palácio do Planalto, o desempenho petista foi uma lista de recordes: 91 cadeiras na Câmara, 147 deputados estaduais, 14 senadores e três governadores.

Agora, pós-mensalão, não se consumou a "débâcle" vaticinada por PFL e PSDB. Deu-se quase o oposto. Lula foi reeleito, e a sigla conquistou dois Estados importantes, como Bahia e Pará -além dos periféricos Acre, Piauí e Sergipe. Mas há um sinal de fadiga à vista.

A bancada de deputados federais caiu para 83 cadeiras (queda de 9%) na comparação com 2002. Nos Estados, os petistas conquistaram 126 vagas nas Assembléias Legislativas (recuo de 14%). No Senado, agora são apenas 11.

Um petista pode rebater com um sofisma: "Falam do PT enquanto quem muda de nome (o PFL para PD) e faz seminários sobre a recuperação de imagem (PSDB) são os partidos de oposição". Essa é uma verdade parcial.

O PT sempre se orgulhou de dar espaço às minorias ideológicas dentro do partido. Falácia pura. Quem dominou a sigla na maior parte de sua existência foi o hoje chamado Campo Majoritário (antes conhecido como Articulação ou grupo dos 113, nos primórdios).

A hegemonia da turma de Lula, moderada, foi a mola propulsora do sucesso petista. Desde 2005, esse poder caiu para menos de 50% no partido. A sangria não está estancada. Os esquerdistas avançam, justamente agora na fase balzaquiana da agremiação -desafiando a tese lulista sobre a convergência para o centro com a chegada da idade.


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