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Fernando Rodrigues



12/02/2007
Lula sem pressa

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Devem comprar calmantes os políticos interessados numa reforma ministerial imediata. Os cargos só saem em março, quando o presidente da República tiver uma noção clara de quem são os mandantes em cada partido, sobretudo no PMDB.

Lula tem sido municiado por pesquisas. Sua imagem aparece ainda num dos mais altos patamares desde o início de sua vida política. Para melhorar seu conforto, a oposição está esfacelada. O buraco do metrô em São Paulo e a atitude ambígua do PSDB no Congresso foram devastadores para os tucanos.

Ao conversar neste fim de semana com petistas em Salvador, Lula foi claro ao explicar sua estratégia. Fazer o PIB crescer acima da média do seu primeiro mandato e aprofundar as políticas sociais para locais ainda não atendidos de forma massificada, como as periferias de grandes centros urbanos.

É claro que o Congresso pode ajudar ou atrapalhar. Mas deputados e senadores terão também grande dificuldade para apresentar obstáculos -sobretudo contra um presidente popular e estando o Poder Legislativo com sua credibilidade tão dilapidada.

É argumentável que o país esteja à mercê dos planos político-eleitorais de Lula, pois vários ministérios andam de lado. Os interinos ficam paralisados. Aguardam. Essa é uma verdade possível.

A aposta de Lula é gastar o tempo necessário agora para ter tranqüilidade no governo mais adiante. Quando o PMDB ganhou ministérios no primeiro mandato, o Planalto foi ludibriado. Peemedebistas foram vendidos como grandes articuladores. O poder anunciado não se traduziu em votos no Congresso. O presidente decidiu inverter a lógica.

Ajudem primeiro. Os cargos virão depois. Vai dar certo? Impossível dizer. Só não se devem desprezar a sorte e a intuição pessoal de Lula.


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