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Fernando Rodrigues



07/03/2007
O custo incerto da ambigüidade

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A ambigüidade tem sido uma das características políticas mais marcantes de Lula. O presidente fala em privado de forma oblíqua. Os políticos saem do Planalto "se achando", como se ouve nos diálogos das telenovelas. Em seguida, muitos se decepcionam. O petista executa em público quase o oposto dos acertos professados nas conversas de gabinete.

Como Lula foi reeleito presidente no ano passado, é argumentável que sua estratégia esteja correta. Engana os políticos. Segue em frente. Finge que vai fazer a reforma ministerial. Depois não faz -ontem, anunciou novo adiamento.

Mas essa forma de operar a política nem sempre funcionou tão bem. No final de 2004, Lula sinalizou ser a favor da reeleição de José Sarney e de João Paulo Cunha para as presidências do Senado e da Câmara. Na prática, nada fez. Severino Cavalcanti ocupou o vácuo. O clima pesou. O mensalão explodiu. A crise tomou conta do governo. Lula se salvou. OK. Só que o problema poderia ter sido evitado.

No ano passado, Lula estendeu a Aldo Rebelo o mesmo tratamento dispensado a Sarney e a João Paulo. O comunista acreditou que o Planalto o apoiava para presidir a Câmara. Foi uma verdade momentânea. Deu-se mal. Lula abandonou-o no caminho, sem avisar.

Agora, o imolado foi Nelson Jobim. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal queria presidir o PMDB. Acreditou nos gestos de Lula. Foi fritado em público -junto com José Sarney e Renan Calheiros, que o apoiavam.

Por enquanto, tudo bem. Lula está com sua popularidade nas alturas. As coisas andam. Mas as mágoas acumuladas podem ter um custo político futuro. Lula sabe dos riscos. Se os assume, deve estar seguro. No caso do mensalão, tudo começou da mesma forma: excesso de autoconfiança.



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