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Fernando Rodrigues



10/03/2007
Apagão moral

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


É compreensível Lula não querer CPIs no Congresso. Nenhum presidente gosta dessas bruxarias. O petista seguiu a cartilha. Mandou engavetar nesta semana a CPI do Apagão Aéreo.

O que chamou a atenção na operação-abafa lulista foi a heterodoxia empreendida pelo Palácio do Planalto. Desde tempos imemoriais, existe uma praxe acadêmica para essas situações: o governo manda seus deputados retirarem as assinaturas do requerimento de uma CPI indesejável. Lula resolveu inovar.

O articulador político Tarso Genro preferiu não interromper os despachos sobre sua futura cadeira no Ministério da Justiça. O tempo passou. Não houve mais condições legais para retirar assinaturas. A operação teria sido fácil. O PMDB tem um ministro quase nomeado na Câmara e poderia submeter-se a esse exercício de servidão.

Com o titanic avariado e quase afundando, o Planalto resolveu humilhar o PT. O líder do partido na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), foi obrigado a apresentar um requerimento sem pé nem cabeça. Coube ao presidente da Casa, Arlindo Chinaglia, aceitar a manobra.

Com a ação de Sérgio-Chinaglia, a CPI está congelada até que a Comissão de Constituição e Justiça responda se 1) há fato determinado para essa investigação e 2) qual é o escopo exato dos assuntos tratados. Escárnio puro. O fato determinado ocorreu em 29 de setembro do ano passado. Caiu um avião da Gol.

Morreram 154 pessoas na maior tragédia da história da aviação brasileira. Sobre o escopo da investigação, o nome da CPI é auto-explicativo. Além do mais, todos os deputados têm enfrentado semanalmente atrasos anormais nos horários de seus vôos nos últimos meses.

A falta de cerimônia dos governistas ao engavetar essa primeira CPI do segundo mandato de Lula mostra duas coisas. O PT está perdido. E o apagão a ser investigado não é apenas o aéreo. É moral.



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