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Fernando Rodrigues



12/03/2007
O reino do fingimento

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O PMDB fez sua convenção nacional ontem em Brasília. O presidente da sigla, Michel Temer, disse: "O partido vai construir candidatura própria e dentro da coalizão. Nosso desejo é que tenhamos candidato à Presidência da República apoiado por todos os partidos da coalizão".

A frase de Temer contém um ardil. Ao pronunciar um desejo impossível -um candidato do PMDB a presidente "apoiado por todos os partidos da coalizão"-, o peemedebista poderia dizer o seguinte:
"Olhe, sejamos francos, o PMDB não tem um nome que consiga ter o apoio de todas as 11 legendas governistas. Também não existe força motriz no partido disposta a se unir em torno de algum nome com potencial eleitoral. Logo, não teremos candidato a presidente". Essa história é conhecida.

Em 1998, o então presidente nacional do PMDB, Paes de Andrade, declarou: "Tenho convicção, pelos contatos que venho realizando no Brasil inteiro, de que o PMDB vai lançar candidatura própria". O partido não teve candidato. Em 2002, a mesma ladainha. O já presidente nacional peemedebista, Michel Temer, mostrou-se neutro.

Dizia até querer eleições internas para escolher um candidato: "É inevitável fazer as prévias. O PMDB precisa definir seu destino: candidato próprio ou aliança". Antes, em dezembro de 2001, havia sido explícito: "O PMDB está em busca da candidatura própria".

Na prática, nunca o grupo hegemônico do PMDB nos últimos 20 anos trabalhou de fato para a agremiação viabilizar um candidato forte a presidente da República. Em 1989, a imensa maioria do partido traiu Ulysses Guimarães. Em 1994, Orestes Quércia conseguiu ter menos votos que Enéas. Ontem, o fingimento voltou à cena peemedebista. Pobres de nós. Teremos de aturar essa pantomima até meados de 2010.


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