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Fernando Rodrigues



19/03/2007
O "padrão Lula" de fazer política

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


O episódio do ex-futuro ministro da Agricultura Odílio Balbinotti, o que "foi sem nunca ter sido", é exemplar para mostrar a forma descompromissada de Lula lidar com a política.

A nomeação visava a driblar a cúpula do PMDB na Câmara. Lula não queria satisfazer a todos os desejos do presidente nacional peemedebista, Michel Temer. Assim, escolheu um deputado "outsider" para ser ministro da Agricultura.

A escolha se deu sem a mais remota checagem sobre quem era de fato Odílio Balbinotti. Como bem registrou a coluna "Painel" de ontem, na Folha, não ocorreu a nenhum iluminado no Planalto uma prosaica checagem no Google.

Essa desídia não é pontual. Trata-se do "padrão Lula" de fazer política: uma mistura de auto-suficiência exacerbada e alto grau de intuição. Às vezes, dá certo. Com Balbinotti, o fracasso foi total.

Lula quer votos no Congresso. Como, não importa. O predomínio da fisiologia nas relações entre Executivo e Legislativo é uma "não-questão" para o petista.

Mesmo quando rebarbou a fúria pedinte dos políticos, foi uma ação para a arquibancada. No final de 2002, por exemplo, o PMDB estava quase dentro do governo. Lula negociava cargos. Tomou posse e esnobou os peemedebistas. O preço seria muito alto, disse. Bobagem.

Foi só uma opção diferenciada. O petismo federal preferiu a adesão da dupla mensaleira PL e PTB, siglas cuja bancada somada pulou de 52 deputados eleitos para 75 cadeiras meses depois de iniciada a administração lulista. Agora, Lula negocia com o PMDB. Aceita dar ministérios, mas impõe nomes dentro da agremiação. Um já deu errado. Outros virão. Não importa. O "padrão Lula" prevalecerá. E a fisiologia campeará, como sempre, "neste país".


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