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Fernando Rodrigues



09/04/2007
Pena de morte e poucos valores

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Subiu para 55% o apoio à pena de morte. Desde 1993 o Datafolha não registrava tal marca. Essa adesão ao medieval "prenda e arrebenta" é de origem difusa. Mas a inação dos políticos tem razoável culpa no cartório. Um dos fatores mais inibidores do crime não é o tamanho da pena, mas a inevitabilidade da punição.

Nesse quesito, os políticos produzem contra-exemplos em série. Deputados e senadores cometem crimes. Renunciam para escapar da punição. Voltam reeleitos. Seus colegas se comportam como se nada tivesse ocorrido.

Respira-se em Brasília o ar da impunidade. Valores republicanos estão em falta. Há exemplos em profusão. Um caso já antigo é emblemático pela singeleza do ato e pelo protagonista envolvido. Em uma de suas andanças já como presidente, em 2004, Lula recebeu um bombom. A mídia captou a cena. O doce foi desembrulhado e saboreado. O papel, amassado. Da mão do petista, caiu ao chão.

Lula seguramente não viu nada de muito errado nesse ato. Deve considerá-lo assunto quase irrelevante. Se alguém o menciona, o petista possivelmente classificará a crítica como firula, preconceito. Não é.
No Brasil é rara a punição -se é que existe- para pequenas infrações como jogar papel no chão. Delitos milionários também ficam nos escaninhos do Judiciário anos a fio.

Malufs podem até amargar uns dias de cadeia, mas logo estão por aí, leves e soltos, desfrutando de foro privilegiado. Já pobres diabos vão para a cadeia por furtarem um frasco de xampu no mercado. Aí está parte da gênese do inconformismo de alguns, até ingênuos, defensores de uma solução extrema como a pena de morte. Gente que talvez também jogue na calçada a embalagem do bombom de maneira irrefletida. São "milhões de Lulas", martelava o jingle do petista. São todos a cara do Brasil.


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