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Fernando Rodrigues



18/04/2007
Governo errático

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A popularidade de Lula está nas alturas. A economia anda nos trilhos. O país deve neste ano crescer mais do que nos anteriores. Mas nada disso é suficiente para esconder totalmente a inépcia operacional da administração federal petista em certas áreas.

Esse caso do apagão aéreo pode servir de assunto para teses de doutorado sobre como as jovens democracias, caso do Brasil, têm dificuldades para conviver com situações de crise. Não há respostas administrativas eficazes. Mas o pior mesmo talvez seja o manejo político.

Até duas semanas atrás, o governo só jogava com a possibilidade de não ter ou atrasar ao máximo a CPI do Apagão Aéreo na Câmara. Ontem, os lulistas já torciam para a Justiça liberar logo de uma vez a instalação da investigação.

Com a ameaça de uma segunda CPI do Apagão Aéreo no Senado, os governistas partiram para a tradicional liberação dos anéis para preservar os dedos. Ou seja, dar como certa a investigação na Câmara para minimizar a chance de ter outra comandada pelos senadores. Até aí, sem reparos. A tática muda conforme a conjuntura.

O ponto é outro: como o governo sofre desgaste há mais de um mês para abafar a CPI na Câmara, supõe-se que ninguém no Planalto conseguiu prever o cenário atual -com a oposição tentando ocupar uma fresta deixada no Senado. Até porque, se essa hipótese tivesse sido aventada, Lula teria uma saída mais indolor desse labirinto.

Também chama a atenção que só agora ocorra ao governo colocar a PF no encalço da Infraero. Essa medida teria muito mais eficácia -para debelar a CPI- há alguns meses, quando apareceram as primeiras suspeitas na estatal.

Tudo somado, a macropolítica anda errática na administração federal. E daí? Daí, nada. Lula está muito bem e só pensa em como voltar, em 2014 ou 15.



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