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Fernando Rodrigues



25/04/2007
A transparência que falta

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


É necessário reconhecer os esforços dos governos FHC e Lula na coleta e divulgação de parte dos dados sobre publicidade estatal federal. Desde 1998, os números passaram a ser compilados de maneira centralizada.

Sob Lula, as informações tornaram-se públicas. Há avanços, portanto. O ambiente hoje em nada se compara ao da ditadura militar. À época, agências de publicidade enriqueceram nas sombras para criar personagens como o "Sugismundo" -tentativa simpática, mas frustrada, de difundir os benefícios da higiene. As ruas das grandes cidades permanecem imundas.

Feito o registro da parte positiva, sobra o vácuo ainda existente quando se trata de transparência na propaganda federal. Sem contar a quase penumbra total nos Estados e em alguns municípios.

Lula torrou R$ 1,015 bilhão com publicidade em 2006. O recorde de FHC havia sido R$ 953,7 milhões em 2001. Essa cifras mostram apenas parte da fotografia. Não faz o menor sentido o Palácio do Planalto deixar de divulgar os custos para produzir os comerciais.
Em 2006, o montante equivaleu a cerca de 20% do total. Ou seja, mais R$ 200 milhões.

Mas o maior buraco negro nessa área de marketing são os patrocínios. Quanto custa aquela turma vestindo camisa amarela e pulando nas arquibancadas quando jogam equipes de vôlei ou de basquete em competições olímpicas?

Dentro do governo, as estimativas sobre a verba global de patrocínios variam de R$ 300 milhões a R$ 1 bilhão. Outro dia, até uma marcha de prefeitos foi bancada por empresas estatais. Virou uma mania nacional: ONGs e movimentos sociais em geral sempre passam o chapéu pelo governo antes de empreender qualquer tipo de atividade. Têm todo o direito de pedir. Mas é também um direito da sociedade conhecer como o dinheiro é gasto.



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