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Fernando Rodrigues



12/05/2007
Uma oposição patética

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Quatro deputados federais tucanos paulistas escreveram um curioso artigo na Folha nesta semana. Arnaldo Madeira, Edson Aparecido, Emanuel Fernandes e José Aníbal gastaram 736 palavras na quinta-feira para reclamar de duas coisas:

1) a política de cooptação fisiológica que o Planalto emprega na montagem da aliança lulista e 2) o número de MPs editadas pelo presidente da República. Segundo cálculos do PSDB, FHC editou 3,8 medidas provisórias por mês. Lula teve uma média de cinco MPs mensais em seu primeiro mandato. Qual a diferença real -não aritmética- entre uma média de 3,8 e de 5 MPs por mês? Zero ou quase zero. O Congresso fica com sua pauta trancada da mesma forma.

O ponto é outro. Durante o governo FHC, nada de prático foi pensado para possibilitar a eliminação completa desse asqueroso instrumento chamado MP. Em suas lamúrias, os tucanos também não oferecem solução. Parecem cumprir tabela. Fazem as reclamações de praxe até conseguirem voltar ao poder. Depois, tudo volta ao normal. MPs serão necessárias para "garantir a governabilidade" (sic).

Numa espécie de ato falho freudiano, os tucanos reservaram uma quase confissão para o final. Ao concluírem o raciocínio, falam sobre a perda de deputados para os partidos aliados ao Planalto:

"A cooptação -explícita e amoral do Executivo- só funciona porque uma parcela expressiva de parlamentares é com ela conivente -ou porque não tem noção do papel institucional que lhe cabe, ou porque se sente devidamente gratificada pela paga recebida em troca de apoio incondicional ao governo".

É verdade. Irretocável esse trecho. PSDB e Democratas (ex-PFL) nada fizeram para impedir em seu meio a existência de políticos invertebrados e passíveis de cooptação fisiológica. Agora, choram.



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