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Fernando Rodrigues



14/05/2007
O papa e os brasileiros

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Exceto por sua declaração contra os crimes do narcotráfico, a agenda de Bento 16 no Brasil foi toda negativa e conservadora.

Compreensível. Aborto e camisinha apareceram da maneira católica mais convencional. É uma incógnita o efeito desse discurso ortodoxo sobre o rebanho de brasileiros católicos no futuro.

Mas talvez não seja um absurdo atribuir a esse tom pesadão de Bento 16 pelo menos uma conseqüência imediata: o público relativamente decepcionante em algumas de suas aparições.

Gente da Igreja Católica falava em 1,5 milhão de pessoas na missa em que frei Galvão virou santo. Com muita bondade, olhando as fotos panorâmicas, ali não havia nem perto de 1 milhão de fiéis.

Ontem, na tão alardeada missa dominical de Aparecida, o público teria sido de aproximadamente 150 mil. Antes do evento, falava-se abertamente em meio milhão. Não houve, por óbvio, um fracasso de público. Mas alguma coisa estava fora do lugar. Ficou faltando.

Uma reportagem de Diogo Pinheiro para o UOL News retratou à perfeição o misto de entusiasmo e indiferença na visita papal. Pessoas se aglomeravam esperando Bento 16 no sábado nas ruas de Guaratinguetá e de Potim, cidades paulistas.

Foi uma aparição relâmpago. Os vidros do automóvel fechados. Poucos o enxergaram. Uma mulher de cabelos brancos não viu o papa. Resignou-se: "O que importa é a emoção de a gente estar aqui. Vendo que ele está aqui passando perto da gente. Essa é uma emoção muito grande".

Crianças no local eram mais frias. Um deles, obrigado a estar ali com os pais, foi claro: "Preferia ir jogar bola". Há um evidente abismo geracional a ser resolvido pela Igreja Católica. Os jovens de hoje dão indícios de que serão menos resignados no futuro diante dos dogmas defendidos hoje por Bento 16.


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