UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

- Saiba quem é
Fernando Rodrigues



23/05/2007
Os dois tipos de político

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Nada de relevante sobre a Operação Navalha por aqui nos EUA em jornais de elite. Na segunda-feira, a brasilidade esteve representada por Romário. Houve algum destaque por causa do milésimo gol -cuja conta foi, por óbvio, contestada pela mídia local.

Essa nova caçada da PF aos corruptos registra uma vez mais um certo padrão de comportamento da politicalha brasileira.

Nunca falta no roteiro a resposta pronta: "Eu não tenho nada com isso". Desta vez, os legítimos representantes dessa categoria são o governador da Bahia, Jaques Wagner, e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ambos passearam em uma lancha do empreiteiro-símbolo da Navalha, Zuleido Veras.

De imediato, materializou-se uma explicação. A lancha foi alugada. Custou R$ 5.000. Onde estará a nota fiscal do convescote? E o recibo da saída do dinheiro de uma conta bancária para outra? Certamente o PT baiano tem toda essa documentação. Ou não. Basta alterar a versão. Foi só um empréstimo.

Em Brasília, os poderosos repetem à náusea uma empulhação. Haveria no mundo dois tipos de político: 1) o que precisa de dinheiro para fazer política e 2) o que precisa da política para fazer dinheiro. Nessa hipocrisia, o primeiro seria melhor (sic) que o segundo.

Por exemplo, é tolerável um passeio de barco sem saber (sic) a quem pertence a embarcação. Mas é imperdoável se o político comprar o barco com dinheiro surrupiado dos cofres públicos.

Bobagem. O político ladrão existe em grande parte porque há o interessado em deixar roubar. Um alavanca o outro nesta "República dos favores" cujo nome é Brasil. Eis aí o pior legado do PT. Na oposição, vocalizava insatisfação contra tais imposturas. Agora, capitulou. "Eu preciso de dinheiro para fazer política", resmungam os petistas pelos cantos do poder. Deprimente.



COLUNAS ANTERIORES IMPRIMIR ENVIE POR EMAIL