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Fernando Rodrigues



26/05/2007
Efeitos práticos

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Um ministro já perdeu a cadeira por causa da Operação Navalha. Governadores tremem. O presidente do Senado, Renan Calheiros, sua frio para explicar suas relações constrangedoras com o empreiteiro-símbolo do escândalo, Zuleido Veras.

No meio desse cenário, um ponto de interrogação: qual será o efeito prático da Operação Navalha sobre o governo federal petista. Impossível prever com precisão, mas a história recente oferece pistas.

O último presidente da República a enfrentar situação semelhante foi Itamar Franco, em 1993, com o escândalo dos anões do Orçamento -um esquema criminoso comandado por deputados e senadores para desviar verbas públicas.

Apesar da crise, Itamar governou. Sem entender de economia, pavimentou o caminho para o Plano Real. Elegeu seu sucessor, Fernando Henrique Cardoso. Saiu do Planalto com a popularidade em alta (41% de "bom" e "ótimo"). Já o Congresso estava em frangalhos, com um recorde (à época) de seis deputados cassados.

Agora, na Operação Navalha, possivelmente o número de políticos punidos no Congresso será até menor. Acaba de brotar um movimento difuso em defesa dos direitos fundamentais, contra "abusos" da PF. Beleza -embora seja notável que essas preocupações legítimas só surjam quando os acusados são políticos ou peixes gordos.

E Lula? Também pede comedimento da PF. Virou o presidente do "manda prender". Como se o dinheiro da roubalheira não saísse dos cofres federais. Sua blindagem da época do mensalão é resiliente. Volta sempre ao estado inicial. Assim, o petista se livra dos efeitos da Navalha. Até quando, não se sabe.

Jaques Wagner esqueceu a lancha de Zuleido. Explicou: "Domingo de sol, você passeando de lancha, uma cervejinha...". Tenha dó.


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