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Fernando Rodrigues



04/06/2007
Renan, o rei do gado

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Renan Calheiros começou na política profissional há quase 30 anos. Elegeu-se em 1978 deputado estadual em Alagoas. De lá para cá, viveu com salário de político -salvo um breve período no início da década de 90, quando ocupou uma sinecura na Petrobras.

Construiu um patrimônio rentável. Suas fazendas no interior de Alagoas dão lucro. Tudo num Estado não propriamente conhecido pela fertilidade de suas terras nem pela opulência de seu gado.

No ano passado, Renan faturou R$ 1,9 milhão no setor agropecuário. Vendeu 784 cabeças de gado. Tem ainda 1.704 reses em estoque.
É um ás do agronegócio.

Lula até outro dia procurava alguém no Congresso para nomear como ministro da Agricultura. Deve hoje se lamentar por não ter sido apresentado a esse Renan Calheiros laborioso e bem-sucedido. Ironia à parte, o relevante a ser dito é a capacidade de Renan para provar oficialmente todas as suas operações -sem fazer juízo de valor se são ou não legítimas.

Esse é o ponto: a alta sofisticação dos métodos e operações de políticos encrencados. É raro aparecer um tolo como Severino Cavalcanti disposto a aceitar um cheque mixuruca e compensá-lo em sua conta.
Tome-se o caso de fazendas e negócios agropecuários em geral. Quanto custa um cavalo ou um boi?

São ativos cujos valores embutem alto grau de intangibilidade. Pede-se um preço qualquer e recebe-se o dinheiro correspondente.

Hoje Renan prometeu apresentar notas fiscais e cheques comprovando seu espetáculo do crescimento no ramo do gado. Nas palavras do presidente do Senado, explicará "tudinho". É possível. Até porque, ninguém acredita haver disposição no Senado para verificar quem são todos os matadouros interessados em comprar o gado do presidente da Casa. No Senado, Renan já se sente absolvido.


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