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Fernando Rodrigues



13/06/2007
"Guantanamera"

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


A cena é de ontem à tarde. Uma pessoa faz um discurso pró-Cuba num ginásio em Brasília. O público do MST delira. Aplausos. A maioria então se esgoela e começa uma cantoria. "Guantanamera, guajira guantanamera...".

Do outro lado da parede, um cenário diferente. Nada de radicalismo. O dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra João Pedro Stedile explica os projetos da associação. Fará invasões para forçar uma reforma agrária? "Estamos debatendo outro tipo de reforma agrária. Sair do "quadrado burro". A fórmula de desapropriar e dividir. Quem disse que o trabalhador deve ficar em cima da sua propriedade produtiva?", responde Stedile.

O MST agora defende a criação de "agrovilas", próximas à área de plantio. Em resumo, uma espécie de urbanização da sua clientela.
O que achou do fechamento da rede de TV na Venezuela? E no Brasil, há clima para fechar uma rede como a TV Globo? Stedile tergiversa: "Depende da correlação de forças. Não é um ato de vontade". Pretende comandar protestos contra a onda de escândalos na política? "Eu fico indignado com tudo isso, mas não é a nossa pauta".
No momento, o MST segue a cartilha do velho partidão: acumula forças para quando, nas palavras de Stedile, vier "o ascenso" dos movimentos de massa. "Estamos em queda desde 1989", diz ele, não reconhecendo avanços em Lula por causa das alianças abraçadas pelo petista. Mas emenda: "Dar pau no governo é pequena política".

Na ditadura, "o povo votava na Arena porque havia perspectiva de emprego". Por analogia, vota-se em Lula agora pelo mesmo motivo?
"Por analogia, sim", responde Stedile. Tudo somado, o MST tem uma encruzilhada à frente: sem propriamente desejar, acaba torcendo em silêncio por uma crise econômica para voltar a prosperar.



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