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Fernando Rodrigues



20/06/2007
Paralisia no Senado

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Piorou a condição política do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Resiliente, ele vai ficando no cargo.

Mas há fatores objetivos a serem considerados além do oceano de indícios sobre os negócios heterodoxos com gado. Renan assistiu a vários movimentos ruins ontem:
1) PSDB e DEM anunciaram reuniões para decidir como proceder na hora de votar a absolvição ou condenação de Renan no Conselho de Ética. Há uma semana, essas siglas eram 100% a seu favor;

2) Dois senadores falaram em público pedindo abertamente o afastamento de Renan do cargo: Pedro Simon e Jefferson Peres;

3) Na Câmara, mais humilhação. O deputado Fernando Gabeira apresentou uma questão de ordem: pode o presidente do Senado, na atual conjuntura, comandar também o Congresso quando há sessão conjunta das duas Casas?;

4) O Planalto ensaia sua ação predileta: representar Pilatos quando um aliado está encrencado;

5) O PT já não se preocupa tanto em encerrar logo a investigação. Se for necessário mais tempo, tudo ficará para mais adiante;

6) A auditoria nos papéis de venda de gado de Renan contém ressalvas. Não ficará provada a legitimidade das operações. É mais lenha na fogueira contra o senador.

Com todos esses novos elementos no tabuleiro, é no mínimo incerta a chance de Renan ficar onde está. Ele fez o possível ontem para garantir uma absolvição sumária. Ouviu de volta argumentos contrários. O custo político da operação seria altíssimo para os aliados.

Os senadores renanzistas já perceberam haver um certo limite para a salvação do amigo. Eduardo Suplicy diz receber uma avalanche de e-mails cobrando mais rigor.

Casa anacrônica e ineficaz, o Senado está paralisado. Nenhuma decisão talvez seja tomada hoje. Será mais uma derrota para Renan.



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