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Fernando Rodrigues



23/06/2007
O Senado é cúmplice

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Renan Calheiros buscou uma absolvição sumária, rápida. Não deu certo. Agora diz não estar preocupado com prazos. Aposta na abulia crônica do Senado. A lógica é manjada. O tempo passa e o caso está esquecido.

Inviabilizada a pizza a jato, os renanzistas introduziram uma discussão bizantina no Conselho de Ética. O órgão não tem poderes para investigar, quebrar sigilos nem fazer diligências. Logo, é necessário esperar a boa vontade de instituições como a Polícia Federal.

Baboseira. O Conselho de Ética deve apenas dizer se há dúvidas sobre as negociações milionárias de Renan Calheiros com gado. Os senadores só têm obrigação de responder a uma pergunta: Renan Calheiros mentiu ou não mentiu a respeito de seus fabulosos rendimentos com atividades pecuárias? Mentira não pode ser qualificada.

Não vale dizer "foi só uma mentirinha" ou culpar um contador pobre diabo. Se Renan mentiu, deve ser cassado. Simples assim. E já há fartas informações disponíveis: 1) o gado alagoano (região de febre aftosa) produzido por Renan é vendido (sic) por preço acima do de São Paulo; 2) açougues mixurucas não reconhecem as vendas; 3) os lucros das atividades pecuárias do presidente do Senado são altíssimos na comparação com a média nacional e 4) a taxa de fecundidade das vacas desse excepcional rebanho supera de longe o encontrado na natureza.

Por fim, a Polícia Federal identificou buracos eloqüentes na contabilidade das fazendas de Renan. Houve crime? A Justiça responderá a seu tempo. Houve informação falsa sobre venda de gado? Parece óbvio que os senadores e pessoas com QI acima de 60 já têm totais condições de saber. Ao não tomar uma decisão a respeito, os senadores elevam ao paroxismo o compadrio na Casa. Mas, sobretudo, se tornam cúmplices de um episódio degradante.



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