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Fernando Rodrigues



07/07/2007
Palocci é o Brasil

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Há mais de uma década observo políticos por dever profissional aqui no interior de Goiás. Interesso-me pelas atitudes cotidianas desses que supostamente nos representam no poder. Quando Lula de maneira irrefletida jogou uma embalagem de bombom de cupuaçu no chão, em 2004, essa logo se tornou a imagem-síntese dos homens públicos na esfera federal petista. Um ato banal, mas emblemático da inexistência de certos valores entre os políticos.

Agora, o ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) produziu uma cena melhor. No início da semana, a TV Globo flagrou o petista furando a fila de embarque internacional no aeroporto de Guarulhos.

Constrangedor. Aquele caos já conhecido e Palocci, de maneira melíflua, vai andando devagar até passar por um desvão aberto por pessoas que parecem estar ali para atendê-lo. Fato publicado, vieram as desculpas. Claro.

Segundo o petista -corroborado por uma companhia aérea-, ele apenas atendeu a uma determinação de ir o mais rapidamente possível ao portão de embarque. Não cometeu desvio. Ao furar a fila, Palocci teria praticado uma benemerência (sic) por não atrasar o vôo internacional ainda mais. Beleza. A ser verdade essa patacoada, todos estão agora autorizados a chegar em cima da hora ao aeroporto quando forem fazer uma viagem internacional. Em seguida, serão chamados a furar a fila do controle de passaporte com anuência de todas as autoridades presentes.
Difícil identificar o mais deplorável nessa pantomima. Se o ato de furar a fila ou a desculpa deslavada. A rigor, tanto faz. O conjunto da obra do ex-ministro é auto-explicativo -desde o exótico molho de tomate "peneirado com ervilhas" na licitação em Ribeirão Preto até o funesto episódio com o caseiro Francenildo. Palocci é o Brasil.


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