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Fernando Rodrigues



18/07/2007
Processo errático

Por Fernando Rodrigues
Brasília - DF


Merece aplauso a decisão de ontem da Mesa Diretora do Senado. Os papéis de Renan Calheiros foram remetidos para a Polícia Federal. Serão periciados novamente. Essa era a única saída possível no momento.

Acerto registrado, é útil também notar o tortuoso caminho do episódio envolvendo Renan Calheiros, cujo trâmite dentro do Senado chegou a flertar até com a ilegalidade. Casa hermética e pouco acostumada a contestações, o Senado parece não conhecer a diferença entre crime e quebra de decoro.

Os senadores não precisam julgar os negócios pecuários de Renan Calheiros nem dizer se o presidente da Casa cometeu um delito fiscal. A Justiça se ocupará dessa tarefa. Ao Senado basta firmar convicção sobre se um de seus integrantes teve ou não um comportamento impróprio com o exercício da função -a quebra do decoro.

Renan Calheiros usou os serviços de um lobista para transportar dinheiro. O profissional comissionado trabalha numa empreiteira prestadora de serviços ao Estado. O senador quis demonstrar inocência comprovando ter renda compatível com os valores manipulados. Vários documentos são de venda de boi para açougues incapazes de arcar com tais negócios.

Renan argumenta não ter culpa se açougues fajutos sonegam impostos. Mais ou menos. Um cidadão comum talvez possa usar essa desculpa. O presidente do Senado tem obrigação de conhecer quais são os estabelecimentos comerciais com os quais se relaciona.

Esse é o ponto. Há elementos claros atestando a quebra de decoro. A perícia da PF tornou-se inevitável por causa de erros anteriores de procedimento. É um preço a pagar, com mais demora. O caso explodiu em 25 de maio. Não terminará antes do final de setembro. Que o Senado reflita sobre seus atos e não empurre a crise até o Natal.


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