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Fernando Rodrigues



13/09/2008
A urucubaca de Obama

Por Fernando Rodrigues
Nova York


As coisas não vão bem para os democratas. O sorriso amarelo de Bill Clinton ao lado de Barack Obama disse tudo.

"Eu prevejo que o senador Obama vai ganhar", disse Bill Clinton, meio sem graça. O ex-presidente está para Obama assim como José Serra está para Geraldo Alckmin na eleição paulistana.

O casal Clinton, Bill e Hillary, vende uma imagem pública de apoio a Obama. Na vida real, a história é outra. Hillary deseja ser candidata a presidente em 2012. Para ela, é melhor o republicano John McCain vencer em novembro. Há uma espécie de urucubaca na campanha democrata nas últimas semanas. Catatônicos, os obamistas demoraram a depurar a escolha da vice na chapa republicana, Sarah Palin. Reagiram de maneira descoordenada. Começaram com desdém. Depois, atacando a esmo a governadora do Alasca.

Obama, ele próprio, cometeu o mais infantil dos erros de uma campanha. Passou a polarizar com Sarah Palin. Candidato a presidente não bate boca com postulante a vice na chapa adversária. Os republicanos ganharam mídia de graça. Cínicos, fizeram-se de vítimas.
O azar dos democratas se estende ao língua-solta Joe Biden, candidato a vice de Obama. Só nesta semana, Biden já produziu duas gafes.
Sugeriu que Hillary Clinton teria sido uma candidata a vice melhor do que ele. Noutra ocasião, pediu a um paraplégico que se levantasse para o público vê-lo melhor.

Obama ainda tem como reagir. O ambiente o favorece. Há mais de 40 anos perguntando se os norte-americanos se sentem melhor agora do que há quatro anos, o Gallup neste ano apurou a pior taxa da história: só 41% responderam "sim".

Como se perde uma eleição dessas, com ambiente tão favorável à oposição? Se for derrotado, Obama passará o resto de seus dias dando entrevistas para explicar.


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