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Fernando Rodrigues



15/09/2008
Serviços secretos

Fernando Rodrigues
De Nova York


Está na internet a transcrição de uma palestra do principal analista de informações da "comunidade de inteligência" dos EUA, Thomas Fingar.
Ele é presidente do Conselho Nacional de Inteligência -o órgão responsável por consolidar as informações coletadas por agentes da "comunidade" espalhados na administração federal.

Desmoralizados pelas barbeiragens pré e pós o 11 de Setembro, os agentes secretos dos EUA agora estão numa fase pessimista. O relato de Fingar fala que a "dominação americana (...) está se erodindo", de forma cada vez mais rápida.

A estrutura de governança mundial (FMI, Banco Mundial e outros) está obsoleta. A imagem depauperada dos EUA, porém, impede o país de liderar mudanças. Uma idéia vinda de Washington estaria, diz Fingar, "morta na largada".

Abriu-se um vácuo de liderança internacional. Ninguém parece pronto para preenchê-lo. Ao contrário, os pretendentes como Rússia, China e União Européia também padecem do mesmo mal dos EUA, cada um com um problema específico de imagem.

Todas essas informações já foram entregues para os candidatos a presidente dos EUA. O serviço secreto tem reuniões regulares com Barack Obama e John McCain. O eleito receberá um estudo com as perspectivas mundiais até 2025.

Com todos os defeitos e buracos que possa ter a análise apresentada por Fingar, trata-se de um esforço de razoável envergadura. E, sobretudo, de transparência. O serviço pode ser secreto, mas os resultados precisam ser públicos.

No Brasil, essa discussão inexiste.

Desde o fim da ditadura militar, governo atrás de governo tenta criar um sistema minimamente confiável de inteligência. A crise dos grampos expôs o atraso já conhecido. No fim, não há inteligência nem transparência. Só segredo.


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