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Fernando Rodrigues



17/09/2008
Comportamento de manada

Fernando Rodrigues
De Brasília


No dia 19 de outubro de 1987, a chamada "segunda-feira negra", o mundo parecia ter chegado ao fim. A Bolsa de Nova York caiu 22,6%. Naquele ano, fecharam as portas ou foram comprados 487 bancos comerciais.
Anteontem, as ações caíram 4,4% em Nova York. Um grande banco de investimentos faliu. Há mais na fila.

Por enquanto, neste ano, menos de 15 instituições financeiras encerraram seus negócios nos EUA. Como se vê, há diferenças brutais entre agora e 1987. Mas o clima em Wall Street tem sido parecido. Muito discurso apocalíptico apesar de as comparações mostrarem haver distinções substantivas entre a crise atual e as anteriores.

As similitudes só ficam no campo das interpretações e reações imediatistas. O comportamento de manada do mercado (o mais covarde dos animais) nunca muda. Outro consenso é a incerteza sobre como será o formato do sistema financeiro norte-americano depois de passado pandemônio.

Nos meses após 1987, várias medidas foram tomadas para regular o mercado. Criou-se o "circuit breaker": um mecanismo que interrompe por até uma hora a compra e a venda de ações após quedas de preço abruptas de 10% ou mais.

Em meio ao ceticismo da atual crise, alguma forma de regulação extra será adotada. O Congresso e o próximo presidente dos EUA empurrarão o mercado para um ambiente mais estrito. Gigantes como o Lehman Brothers terão dificuldade para acumular bilhões de operações podres e sem lastro.
Românticos de Cuba podem indagar: por que não fizeram antes regras mais rígidas? Simples. Esse é um dos defeitos inerentes ao capitalismo, um sistema incompleto, injusto, cheio de defeitos e que se constrói a cada crise. Há alternativas para esse sobe-e-desce, claro.

Os exóticos modelos da Venezuela ou da Bolívia, por exemplo.


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