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Fernando Rodrigues



08/10/2008
Um país de todos

Fernando Rodrigues
De Brasília


Em número total de prefeitos, o PMDB é o campeão eleitoral. Dados preliminares indicam 1.194 municípios sob o comando de peemedebistas em 2009. Conhecido mundialmente pela total falta de identidade e por ser um livro (ou ônibus) aberto a qualquer um, o PMDB conquistou 18,4 milhões de votos para prefeito. É o equivalente a 18,6% do total do país.
Um recorde.

PT e PSDB se revezaram nas últimas três eleições (96, 00 e 04) como os campeões de voto. Nunca atingiram o percentual obtido pelos candidatos do PMDB.

Parte do combustível para o crescimento do PMDB foi a infidelidade partidária em cidades pequenas.

Em 2004, a sigla elegeu 1.057 prefeitos. Depois de aderir por inteiro ao governo Lula, pulou para 1.212 cidades. Ou seja, o recorde da eleição de domingo já existia antes, sem um voto sequer.

A Bahia é emblemática acerca de como o PMDB faz política. É de lá o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima -peemedebista histórico, ex-quase cassado pela CPI dos Anões do Orçamento, ex-adorador de FHC e hoje pró-Lula desde criancinha. Em 2004, o PMDB era raquítico em solo baiano. Elegeu só 20 prefeitos. Geddel então converteu-se ao lulismo. A legenda inchou para 57 municípios governados na Boa Terra. Apurados os votos, saltou para 113.

Não há notícia de uma única nova proposta administrativa revolucionária vinda dos intelectuais do PMDB para conquistar tantos novos adeptos e votos. Como a sigla passou a exercer grande atração sobre prefeitos, o fato deve ser atribuído à extrema capacidade gerencial (sic) de peemedebistas como Geddel Vieira Lima. Seu talento teve espaço menos vistoso nos anos FHC. Lula percebeu. Deu a Geddel a liberdade merecida por um político assim num governo cujo slogan é "Brasil, um país de todos".


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