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Fernando Rodrigues



11/11/2008
Obama e a academia

Fernando Rodrigues
De Cambridge


Massachusetts deu 62% dos votos para Barack Obama. A descriminalização da posse de maconha (até 30 gramas) teve mais apoio: 65%.
Mas nada se compara em liberalismo a Cambridge, cidadezinha de Massachusetts onde está Harvard, universidade na qual o presidente eleito dos EUA se formou em direito. Aqui, o democrata conseguiu obter mais votos (88%) até do que a liberação da maconha (80%).
Harvard virou a "disneylândia do obamismo". A menção ao nome do futuro ocupante da Casa Branca arranca aplausos em almoços e jantares nos salões da universidade.
O jornal local, "The Boston Globe", contabilizou "quase duas dúzias" de professores se autoproclamando mentores do jovem Obama.
Há também os cristãos-novos, como Larry Summers, economista de Harvard e agora na equipe da transição do novo presidente. Pelo menos dois ex-colegas de classe do democrata também já foram convocados para ajudar.
Harvard tem tradição de influenciar presidentes. John Kennedy é um exemplo. Natural de Massachusetts, inundou seu governo com gente da universidade. Depois do seu assassinato, em 1963, a estrutura foi herdada por Lyndon Johnson. Nunca deu muito certo. A Guerra do Vietnã está nos livros de história para provar.
Não está claro se Barack Obama cometerá o mesmo erro, dando poder excessivo aos acadêmicos. Mas essa turma vai seguramente influenciá-lo, pois ele mantém contato freqüente com professores de Harvard.
Um sinal já visível é o pouco caso dos obamistas a respeito da cúpula do G20 sobre a crise financeira internacional. Em Harvard, muitos desdenham a iniciativa. Obama, por enquanto, embarcou nessa canoa.
Apesar de ter pregado o multilateralismo em sua campanha, a opinião da patota da universidade parece estar falando mais alto.


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