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Fernando Rodrigues



17/11/2008
Pergunte ao Lula

Fernando Rodrigues
De Brasília


A cúpula do G20 foi "histórica", disse Lula. "Um grande sucesso", afirmou Bush. Vamos aguardar um pouco. É incerta a capacidade de os países envolvidos se acertarem para criar um grande xerife mundial do setor financeiro.

O comunicado do G20 é amplo e vago. Assemelha-se a dezenas de planos anticrise no Brasil. Alguém se lembra do "pacote 51" de FHC? O maior obstáculo do G20 será obter consenso para regulamentação no plano internacional.

No caso dos papéis exóticos conhecidos como derivativos, os EUA saíram na frente. Tomaram medidas relevantes na última sexta-feira, antes da cúpula. Pouco se falou ou ouviu a respeito porque é raro encontrar alguém que entenda do assunto.

No seu comunicado de sexta-feira, o Tesouro norte-americano anunciou a criação de uma câmara de compensação para derivativos, que "começará suas operações antes do final de 2008". É um prazo incrivelmente pequeno para algo quase revolucionário nessa área.

Haverá mais transparência e segurança num mercado responsável pela "débâcle" atual, embora muito útil para sustentar o crescimento do mundo na última década.

Lula vive colocando a culpa pela crise nos países ricos. Sua frase-síntese tem sido "perguntem ao Bush". No convescote em Washington, não consta ter sido tão duro assim. Refestelou-se em sorrisos ao lado do norte-americano na sessão de fotos, no sábado.

O presidente do Brasil talvez pudesse também "perguntar ao Bush" como fazer para regular o mercado de derivativos. Quando empresas começaram a bater na porta do Planalto pedindo água por terem apostado contra o dólar, ninguém ali sabia ao certo o tamanho do buraco.

Seria necessário mais regulação e transparência. Nos EUA, essa já começa a ser uma realidade. E aqui? Pergunte ao Lula.


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