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Fernando Rodrigues



01/12/2008
Mangabeira e a crise

Fernando Rodrigues De Brasília

Quando os EUA sofreram o atentado do 11 de Setembro, deu-se uma rara união entre os cidadãos norte-americanos. Estavam prontos para ajudar o país a emergir novamente como líder no século 21. Havia uma simpatia natural do restante do mundo. O império exalava uma inusitada fragilidade. A grande oportunidade foi desperdiçada. A principal recomendação de George W. Bush foi para as pessoas irem às compras enquanto ele planejava sua guerra pessoal contra Saddam Hussein.

Agora uma nova crise de natureza diferente atinge a imensa maioria dos países. Tudo o que Bush e seu sucessor, Barack Obama, parecem ter para dizer é "comprem, não parem de consumir, salvem o sistema". Lula, como um papagaio, faz a mesma coisa por aqui.

Nem todos na Esplanada dos Ministérios pensam da mesma forma.
O ministro quase sem pasta Mangabeira Unger tem feito campanha interna para o Brasil adotar uma atitude mais ousada na abordagem da crise financeira.

Ele preparou um documento no qual classifica como insuficientes as duas principais saídas até agora adotadas pela maioria dos países: 1) regular mais profundamente o mercado financeiro mundial e 2) irrigar o sistema com dinheiro estatal, ação classificada pelo ministro de "keynesianismo vulgar".

Para Mangabeira, o mundo tem uma oportunidade única. Pode repensar como deve ser a relação do setor financeiro com o produtivo. O ministro defende, entre outras políticas, aprofundar o controverso uso de bancos estatais para forçar o mercado a financiar pequenos e médios negócios. Enxerga o Brasil com chance de liderar essa mudança em nível mundial.
O documento de Mangabeira está com Lula. O petista ainda não emitiu sinal sobre o que achou. Tampouco está claro se o presidente se deu ao trabalho de ler o texto.


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